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Distanza

13,73 km

Dislivello positivo

294 m

Difficoltà tecnica

Facile

Dislivello negativo

189 m

Altitudine massima

145 m

Trailrank

75 5

Altitudine minima

-12 m

Tipo di percorso

Solo andata

Tempo in movimento

3 ore 11 minuti

Tempo

3 ore 46 minuti

Coordinate

2223

Caricato

5 ottobre 2020

Registrato

agosto 2020
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145 m
-12 m
13,73 km

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vicino a Magoito, Lisboa (Portugal)

"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal! “
Olho o imenso azul para além do Forte de Santa Maria. Penso em histórias de piratas e gente brava defendendo estas costas... penso no poeta e na Mensagem... penso em quão dura é a vida para quem do mar vive ou perto dele viveu... penso que aqueles que, lá em baixo, usufruem desta linda tarde estival, numa das mais belas praias desta costa o fazem alheios a cogitações fantasiosas de quem os observa aqui do alto às 5 da tarde.
Sacudo a poeira do tempo e contemplo a branca espuma das ondas desmaiando suavemente nas pedras antes de beijar a areia dourada. As rochas alinhadas em paralelas fileiras rastejam em direção ao areal. Praia do Pedregal, chamam-lhe as gentes daqui.
As rochas estendem-se para o sul. Lá ao fundo um outro areal dá vida à Praia da Aguda. A arriba fóssil que une as duas praias tem a beleza da antiguidade dos calcários e margas que mostram um calendário de camadas paralelas que contam histórias a quem as sabe ler. A mim basta-me esta beleza que me enche o olhar e apazigua o espírito.
Eis que chegam os outros companheiros. Vamos que se faz tarde. Subimos um pouco pela Estrada de Santa Maria. Um cento de metros, ou menos, serão andados e já descemos por um passadiço rampeado de madeira que encontrámos à direita. Apreciando a verdejante encosta defronte e a praia à direita, descemos ziguezagueando até ao fundo.
A Ribeira da Mata, que calmamente vimos desaguar na praia, acompanha-nos, cantando suavemente à nossa direita, enquanto as botas se afundam na areia do carreiro e o adensado caniço nos tolhe a vista das águas.
Deixámos há algum tempo de ouvir a água da ribeira e lembramos que alguém houve que ousou chamar de Rio Touro a um ribeirinho tão manso.
Atravessamos agora a ribeira. A mansidão deve-se afinal à falta de água. Por aqui correrá ainda mas abaixo do solo. Se assim não fora não a teríamos visto chegar à praia.
Eis que chegamos a um belo recanto, marcadamente cársico, que apresenta na rocha defronte o esqueleto de uma cascata que deverá ressuscitar deslumbrante em tempos mais invernosos. As abas desgastadas do sedimento dão forma de beleza de lapa cársica à encosta. No leito da Ribeira a água empossou em estrutura que parece ter sido feita por mão de gente.
Saímos do trilho para tentar gravar a singeleza de uma casa que foi outrora uma azenha. Em cima, um trio de moinhos saloios, ainda que sem velas asteadas, dão graciosidade ao outeiro.
Entramos em Gouveia, a "Aldeia em Verso". Sabíamos que por aqui andou alguém semeando quadras de sabor popular, eternizando gentes e lugares. Foi o Zé Massano (José Valentim Lourenço) que herdou a alcunha e o jeito de versejar do avô. Humilde na sua génese, agigantou-se em iniciativas: pintando de poesia, em azulejo bem português, a toponímia da sua terra e vizinhos; dando origem às cegadas que percorriam as ruas das aldeias de Gouveia e Fontanelas; criando o grupo de teatro que teve êxito até fora da comunidade onde nasceu...
A aldeia, de traço saloio, mantém orgulhosamente o espírito do Zé Massano preservando as estruturas tradicionais que nos transportam ao dia-a-dia das nossas gentes na 1ª metade do século passado.
Passamos pelas ruas, tiramos água dos poços, atravessamos o Rossio, sentamo-nos no banco de azulejo da galilé da linda capela de N.ª Sr.ª de Belém, vamos lendo estórias de gentes e locais nas quadras de Zé Massano, visitamos o Poço da Ti Rosa "Se quer matar a secura / pode beber à vontade / desta água que é tão pura / como pura é a verdade".
Subimos ao Moinho. O Zé Massano não o reconheceria. Está arranjadinho mas cá fora não tem velas nem mastro nem varas nem búzios cantando ao vento. Lá dentro duvido que haja mós, que haja pião, que haja tremonha... bem... já não é moinho!
Ficaram para trás os versos, entramos no verde. Apressamo-nos... o sol não espera. Esperamos nós o êxtase da poesia de cores nos momentos do seu mergulho. E assim é... Vou tentar ilustrar, perdoem se não conseguir. Ainda na serra e quedamo-nos. O momento é de deslumbre. Recordamo-nos que temos que regressar à Praia do Magoito entre a arriba e o mar e para isso é preciso que a maré ainda esteja baixa. Chegamos ao miradouro da praia da Aguda. Pela grande escada, na arriba pendurada, sobem os veraneantes mais retardatários,aqueles que não fora serem obrigados ali permaneceriam por tempo infindo. Nós vamos descendo e pensando em quem arquitetou e enginheirou esta obra e no quanto custará subir a quem desejava que a tarde não acabasse tão breve.
O espetáculo do ocaso ainda não terminou. Reflete-se na água do oceano a luz difusa de quentes cores criando efeitos cromáticos incríveis. Todos os telemóveis estão activos e nós esquecidos que o tempo e a subida da maré não esperam.
Vamos que o tempo urge!
Fomos quase correndo de uma à outra praia. Será belíssima esta arriba como belíssimas serão estas rochas que do mar vêm abrigar-se junto à encosta mas de noite todos os gatos são pardos.
Atravessamos a vau a ribeira da Mata, o que não faríamos quando passa a RioTouro. Subimos encostados à Duna Consolidada sem podermos apreciar a extraordinária beleza deste arenito agregado e moldado pelo tempo.
"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena."
Nós trazemos a alma imensa depois de uma tão bela caminhada.
Bem haja a quem a tornou possível.
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A bela arriba fóssil entre a praia do Magoito e a da Aguda

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Vista da estrada de S.ta Maria e início do passadiço

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Por entre canaviais

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À sombra dos caniços

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A mansidão dos gigantes

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Tristes por não morrerem de pé

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Braços para trás que as folhas cortam

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Vestígios cársicos

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Algumas vezes a natureza faz com que nos curvemos

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O leito do ribeiro bem seco

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Aqui jaz a cascata que há de ressuscitar lá mais para o inverno

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Terá sido azenha

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Os belos moinhos no outeiro

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Cores de outono em pleno verão

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Entramos na Aldeia em Verso

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Rossio de Trás

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Que treta!... olha o melro, heim!

Anda comigo, meu amor, Vamos até à horta Esquece lá o pudor O que vamos fazer não importa.
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No largo do rossio agora rebatizado com o nome do poeta

O poço está bem conservado, tem água e um balde preso na corda que passa pela roldana. Tirámos água para nos refrescarmos.
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A capela de Nossa Senhora de Belém

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Dentro do poço também tem uma quadra

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O poço da Ti Rosa

Talvez o poço mais igual ao que era em tempos.
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Açougue - poucos saberão o que é

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Será que ainda existe esta barroca?

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Uma bela buganvília dá cor ao muro de um casal

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O moinho está lá mas já o não é.

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Do moinho resta a forma da estrutura

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O pinhal

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Ainda assim é.

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Depressa, que o sol não tarda a pôr-se!

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O parque de merendas em contra luz

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Uma estrutura que convida ao convívio

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Dobrado pela idade e condições adversas, serve agora à foto

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Ainda na serra começamos a apreciar o pôr do sol

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Poesia de cor - sol e lua

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Mais cor...

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Gaivotas ao pôr do sol

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Do miradouro da Aguda

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Descendo a grande escada pendurada na arriba

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Arriba abaixo

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Chegando ao areal

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A sinfonia da cor vista do areal

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Vamos apreciando os cambiantes da luz refratada

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Esquece-se que temos tempo contado

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Boa noite!

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Olhamos o mar e vai outra foto

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Aqui se acaba.

2 commenti

  • Foto di Delfim Nobre

    Delfim Nobre 9 ott 2020

    Amigo Joaquim, muito obg por esta tão bela reportagem da nossa caminhada.
    Bem hajas! Um abraço

  • Foto di j.jesus

    j.jesus 10 ott 2020

    Está com 3 Kms em excesso porque me esqueci de desligar o GPS quando chegámos ao ponto de partida. Qualquer dia edito.

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