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Coordinate 1424

Caricato 14 giugno 2020

Registrato giugno 2020

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vicino a Gralheira, Viseu (Portugal)

FOTOS DESTA E DE OUTRAS TRILHAS EM ”CAMINHANTES"

SERRA DE MONTEMURO

A Serra de Montemuro é a oitava maior elevação de Portugal Continental, com 1382 metros de altitude. Situa-se nos concelhos de Arouca (distrito de Aveiro), Cinfães, Resende, Castro Daire e Lamego (distrito de Viseu) e entre as regiões do Douro Litoral e da Beira Alta.

A altitude média é de 838 metros. Está compreendida entre o rio Douro, a Norte e o rio Paiva, a sul, confina com a cidade de Lamego. O ponto mais alto da serra é denominado por Talegre ou Talefe, a 1382 metros de altitude.


Pico do Talegre (1382m)

Toda a serra tem bastante relevo e é íngreme praticamente de todos os lados. A serra é povoada até cerca dos 1.100 metros de altitude, as aldeias encontram-se espalhadas por toda a serra, mas quase sempre perto de cursos de água, como o rio Bestança que a divide na direção Sul-Norte.

A Serra de Montemuro, faz parte da 1ª fase da lista nacional de sítios da rede natura 2000. Está classificada como BIÓTOPO CORINE, com designação de Serra do Montemuro/Bigorne. Na descrição que o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) faz, destaca-se a grande biodiversidade, resultado do bom estado de conservação dos vários tipos de habitat que aí se encontram representados - alguns deles de considerável valor conservacionista, como as turfeiras activas (habitat prioritário) - e mais concretamente a vasta comunidade de vertebrados, da qual fazem parte inúmeras espécies com estatuto de ameaça, como, por exemplo, o lobo (Canis lupus).


GR47-GRANDE ROTA DE MONTEMURO

Vamos tentar mostrar como quatro caminhantes se propuseram a fazer em três dias a GR47-Grande Rota de Montemuro, cerca de 64Kms em travessia, que cruza toda a Serra de Montemuro desde Nespereira - Parque Nossa Senhora de Lurdes, concelho de Cinfães, até ao Parque Fluvial de Porto de Rei, no concelho de Resende.


Painel Informativo GR47-Grande Rota de Montemuro

Não existindo opções de alojamento para a pernoita, lá fomos nós, como manda a regra em autonomia (para quem não sabe o caracol é o melhor exemplo… ou seja com tudo as costas, casa, cama, comida, roupa, etc.). Sem ser complicado pode ser um percurso duro do ponto de vista físico para quem não estiver habituado devido ao peso das mochilas e à distância a percorrer, principalmente em dias de calor pois tem muita exposição solar.

Queremos salientar o facto de alguma sinalética com as distancias entre pontos não corresponder aos quilómetros reais (peca por excesso) e em alguns locais, apesar de poucos, tivemos dúvidas do sentido a seguir pela ausência ou má sinalética. Outra dificuldade sentida foi encontrar o local exato de inicio da GR47, não existindo as coordenadas no folheto (apenas referência a Nespereira), tivemos de seguir desde o centro de Nespereira o sentido inverso até encontrar o ponto de inicio, no Parque Nossa Senhora de Lurdes. Também lamentamos a inexistência de painel informativo da GR47 neste ponto de inicio/fim, só o encontramos em Porto de Rei.

A GR47 tem duas variantes que fazem a ligação às vilas de Cinfães e Resende, com 9,1 km e 13,9 km respetivamente, que não realizamos, mas são uma opção para o inicio ou termino da travessia, encurtando a distância a percorrer.

Esta rota explora uma das mais desconhecidas serras de Portugal, combinando paisagens magníficas e um património cultural singular. Na nossa opinião utiliza muito pavimento de “Tout-venant” (mistura de areia e brita compactada que servem de ligação aos parques eólicos da serra) e estrada alcatroada nas aldeias e lugares por onde passa.

Os principais locais de passagem são a Nossa Senhora do Castelo, Capela de São Pedro do Campo, Portas de Montemuro, Aldeia da Gralheira, Lagoa D. João e Porto de Rei, nas margens do rio Douro.


3ª ETAPA
GRALHEIRA - PORTO DE REI


Tivemos nas etapas anteriores dias solarengos, hoje acordamos com chuva de morrinha, incomodativa para quem está a fazer a GR47 em autonomia. Apesar desse pequeno contratempo, a Aldeia da Gralheira, já por nós conhecida, é um lugar por excelência para a pernoita, em tenda ou em alojamento local, tem vários serviços de apoio (minimercado, restaurantes, alojamento, parque de merendas e piscina fluvial).

O alvorecer foi por volta das sete horas, pegamos em tudo e fomos para o coreto abrigarmos-nos da morrinha da manhã, enquanto secava a tenda, tomamos o pequeno almoço. Tenda quase seca, estômago aconchegado, fizemos as mochilas e iniciamos a etapa, que teve logo a primeira paragem no café do centro da aldeia.

A GR47 segue pelas ruas da aldeia, em direção aos campos agrícolas, aqui os caminhos são ladeados por muros e atravessam ribeiros por rudimentares pontes de pedra. Cruzamos a estrada EN1030 e seguimos em direção ao planalto da serra por trilhos que atravessam a Lagoa de D. João. As condições da manhã, devido à neblina e à chuva miudinha, não permitiram grandes vistas do local, mas usufruímos do painel informativo sobre o local. A Lagoa de D. João possui valores de caráter natural, cultural e ambiental, destacados pela riqueza da sua biodiversidade. Está localizada numa área maioritariamente constituída por granitos da Beira, à exceção de pequenas zonas onde afloram corneanas e xistos luzentes e filões de quartzo e rocha básica. A evolução tectónica deste local originou um acidente geomorfológico importante, uma depressão conhecida como Lagoa de D. João, de configuração subcircular, à cota média de 1100 metros de altitude. Esta área, plana e alagadiça, assume-se como zona mais fértil de toda a Serra de Montemuro.


Painel Informativo Lagoa de D. João

O caminho contorna pelo lado noroeste o Alto do Ladário, que se encontra a uma altitude de 1216 metros e interseta o pavimento de “Tout-venant” do Parque Eólica por 100 metros para começar a descer em direção à Aldeia de Feirão, atravessamos o lugar, seguimos pela Rua da Igreja e Rua dos Salgueiros em direção aos campos agrícolas. Agora por caminhos de dois rodados contornamos o Alto das Donas até intersetar a estrada asfaltada EM1087, local de interseção com a variante GR47.1-Vila de Resende. Percorremos 700 metros da EM1087 e cortamos à esquerda por caminho amplo de terra que sempre a descer nos oferece uma magnifica panorâmica do vale e onde temos um painel informativo de alguns pontos de interesse da GR47.

O caminho de terra termina ao KM10.1, na Cruz da Esperança, onde interseta a estrada alcatroada EM1056 e a partir daqui temos quase sempre estrada até Porto de Rei, exceto poucos metros aqui e ali, infelizmente são aproximadamente 8 kms finais de alcatrão. Mas, nem tudo é mau, passamos por muitas arvores de fruto, principalmente de cerejas, que nesta altura do ano deu para apanhar uma barrigada daquelas! Esta zona é muito bonita em fins de março, princípios de abril pelas cerejeiras em flor. O vale, principalmente nas encostas ribeirinhas, fica coberto por um admirável manto branco, resultante da floração das cerejeiras, apresentando cenários de beleza únicos na região. Anualmente realiza-se a Festa da Cerejeira em Flor na freguesia de Paus, um dos locais onde a produção de cereja tem maior peso e expressão.

A GR47 segue pelos lugares de Fazamões, Ferreirós, Córdova, sempre por entre cerejais carregados de cerejas que são a cada passo que damos uma tentação para comer mais algumas… Assim chegamos à medieval Vila de São Martinho de Mouros já com uns tímidos raios de sol a brindar-nos a etapa.

A freguesia de São Martinho de Mouros é das mais antigas do atual concelho e também das mais ricas em história, em tradições e em belezas paisagísticas. Fica quase toda na encosta da margem direita do Bestança, a caminho do Douro que a limita a norte. Destaca-se a sua Igreja, situada numa encosta, no curso final da Ribeira de S. Martinho. Esta igreja foi edificada no Séc. XIII, ao estilo românico e tem como santo patrono São Martinho. O maciço turriforme da sua fachada principal é a caraterística mais emblemática deste templo religioso. Apesar de não ter tido efetivamente funções militares, esta igreja prestava certamente refúgio e proteção à comunidade local. O seu projeto inicial era arrojado, mas ficou incompleto. A inscrição "1217", descoberta num silhar (pedra) da capela-mor, evidencia o início da construção ou a conclusão de uma primeira fase de edificação, dando assim expressão à hipotética ideia de um templo com três naves abobadadas. Diante desta surge um arco triunfal apontado e encimado por óculo emoldurado. Foi, contudo, na Época Moderna e, sobretudo, no período barroco que a espacialidade da Igreja mais modificações sofreu, sendo exemplo a capela-mor, intervencionada sob a responsabilidade dos padroeiros. Cabe destacar as pinturas da oficina dos Mestres de Ferreirim (cerca de 1530), o trabalho de talha do retábulo-mor (altar principal), de estilo nacional, e do teto de temática hagiográfica (vida dos santos).


Igreja de São Martinho de Mouros

Fizemos uma pequena pausa para reforço junto à igreja, guardamos os impermeáveis e retomamos a travessia através do casario da vila. Passamos pelo Pelourinho, situado no largo central da medieval vila, este pelourinho, símbolo da autonomia municipal, localiza-se ao lado da antiga Casa da Câmara, atual Centro Cívico. O pelourinho assenta numa base constituída por uma plataforma muito elevada, que sustenta quatro degraus octogonais, e com coluna elevada com oito faces, um capitel quadrangular onde são visíveis os seguintes elementos: as cinco quinas, a data de 1601 (provável data de construção) e a cruz da Ordem de Malta.

Restam-nos escasso três quilómetros para alcançar o fim da travessia da GR47, sempre a descer, alguns troços muito íngremes, fomos seguindo as marcações, que por estradas e ruas alcatroadas nos levam encosta abaixo… já começamos a ver ao longe o Rio Douro e a encosta do vale que teremos de percorrer até ao rio. O Douro com todo o seu esplendor!

Alcançamos o íngreme Caminho de Porto de Rei que calcorreamos com o cenário à nossa frente do Rio Douro, passamos pelo Solar de Porto de Rei. Um dos mais belos palácios do concelho de Resende, talvez mandado construir no século XVI, por Luís de Oliveira. Palácio de grandes dimensões, é constituído por rés-do-chão e andar nobre. Do lado poente a capela de S. António, benzida em 29 de março de 1746 pelo Bispo de Lamego, D. Frei Feliciano de Nossa Senhora. Esta capela é uma reconstrução da anterior que já devia existir no século XVI, mais pobre e tudo leva a crer noutro local. Na fachada frontal, do lado poente, está o brasão de armas dos antigos solares, com os Macedos, Melos, Carvalhos e Abreus. No interior do palácio existem diversos salões, com tetos riquíssimos de madeira de castanho, formando variadas figuras geométricas e uma grandiosa cozinha com descomunal chaminé, toda em pedra.

E assim chegamos à Praia Fluvial de Porto de Rei, num cenário de beleza ímpar. Trata-se de um espaço junto ao Rio Douro com caraterísticas naturais únicas. Conta com um cais de acostagem para embarque turístico, um pontão de ligação, um passadiço, uma piscina flutuante, um solário, bar de apoio, equipamentos vocacionados para merendas, campo de futebol em terra batida, jardins, acessos pedonais e estacionamento. Trata-se de um dos locais do concelho mais procurado na época balnear quer pelo ambiente natural e paisagem, pelos equipamentos e infraestruturas, quer pelo peixe do rio de escabeche e as enguias que podem ser saboreados no restaurante local.

Aqui, na Praia Fluvial de Porto de Rei, terminamos a travessia da Serra de Montemuro, três dias em autonomia. Foram dias bem passados e vivênciados em excelente companhia com sublimes paisagens e perfeitas condições para a pernoita…

FICHA TÉCNICA
Data de realização: Junho 2020
Percurso: Gralheira - Lagoa de D. João - Feirão - São Martinho de Mouros - Porto de Rei
Distancia: 21.2 km
Duração: 6h39min
Tempo em movimento: 4h29min
Tempo parado: 2h10min
Movimento médio: 4.7kms/h
Acumulado positivo: 470m
Acumulado negativo: 1509m
Pernoita: Não foi necessário


TRILHA DAS ETAPAS
1ª ETAPA: NESPEREIRA - SÃO PEDRO DO CAMPO
2ª ETAPA: SÃO PEDRO DO CAMPO - GRALHEIRA
3ª ETAPA: GRALHEIRA - PORTO DE REI

TRILHA COMPLETA
GR47-GRANDE ROTA DE MONTEMURO EM AUTONOMIA





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A equipa Caminhantes
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PARQUE MERENDAS GRALHEIRA (3ªETAPA)

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ALDEIA DA GRALHEIRA (RESTAURANTE)

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PONTE DE PEDRA

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PONTE PEDRA

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LAGOA DE D. JOÃO

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FONTE

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FEIRÃO (IGREJA)

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VARIANTE GR47.1 VILA DE RESENDE

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PAINEL INFORMATIVO

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CRUZ DA ESPERANÇA

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CAPELA

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FAZAMÕES

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FERREIRÓS

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CÓRDOVA

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CEREJEIRAS

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CAPELA EM RUÍNAS

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IGREJA SÃO MARTINHO DE MOUROS

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PELOURINHO

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CAMINHO DE PORTO DE REI

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SOLAR DE PORTO DE REI

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PORTO DE REI (PARQUE FLUVIAL)

2 commenti

  • Foto di LuisRocha

    LuisRocha 23-giu-2020

    Ho seguito questo percorso  Vedi altro

    A meteorologia não permitiu aproveitar 100% da paisagem mas com o passar do tempo conseguimos apreciar as vistas sobre os vales e suas aldeias. E as cerejas, 5*

  • Foto di Caminhantes

    Caminhantes 23-giu-2020

    Olá Luís!
    Nem me fales das cerejas, que boas... 🥴Obrigado pelo comentário e avaliação da trilha.
    Grande abraço.

Puoi o a questo percorso