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Distanza

15,04 km

Dislivello positivo

127 m

Difficoltà tecnica

Medio

Dislivello negativo

127 m

Altitudine massima

136 m

Trailrank

58

Altitudine minima

80 m

Tipo di percorso

Anello

Tempo in movimento

3 ore 48 minuti

Tempo

4 ore 44 minuti

Coordinate

2679

Caricato

28 marzo 2021

Registrato

marzo 2021
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136 m
80 m
15,04 km

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vicino a Ponte, Santarém (Portugal)

Meus olhos cansados da, por ser sempre igual, monotonia do circuito diário de manutenção e aguados por carreiros infindos de beleza e trinados, me levaram a propor que regressássemos à Beselga, que a chuva da semana passada, decerto, terá transformado a cascata que, pela secura estival longa, se nos mostrara seca as últimas vezes que ali estivéramos. 
Quando passamos pela simplesinha e prática ponte pedonal que atravessa a ribeira e a transparência da água corrente, que agita e ondula uma seara verde de limos e plantas aquáticas de flores albas resistindo à corrente, me parou, o meu rosto ter-se-á iluminado e  começou meu sonho de anseio feito. Antecipo a beleza de que vou desfrutar. A floração exuberante de um pessegueiro canta hinos cor de rosa de boas-vindas à primavera.
Entramos num estreito carreirito que, começando juntinho ao lavadouro que há muito não conhece peça de roupa, nos levará, ribeirinha fora, numa curta mas agradável sensação de leveza que a surdina suave da corrente de água nos proporciona. Já no estradão que liga a Beselga de Cima a Fungalvaz, olhando as centenárias oliveiras de troncos carcomidos e mirrados pela idade e as agruras do tempo, vamos pensando em como a natureza se replica em nós com o passar do tempo. Desviamos um pouco à esquerda para voltar a passar sobre as asas de um avião que servem de ponte para a outra margem da ribeira. Nunca aqui vim que não fizesse este pequeno desvio e não sei porquê. O insólito de encontrar duas asas de avião a servir de ponte na ribeira e as interrogações que suscita à minha curiosidade não são motivo suficiente. Volto ao estradão imaginando estórias rocambolescas  e vou caminhando absorto, sonhando e… tropeço!... e caio… caio em mim de espanto!... que é isto?!... uma vedação tolhe-nos o acesso à Cascata da Azulada e aos carreiros ribeirinhos?... Quem terá posto aqui isto?... incrédulo, leio o letreiro pendurado na rede: “PROPRIEDADE PRIVADA / MANTENHA LIMPO”. Reparo então na porta e no ferrolho que a mantém cerrada. Não há aloquete e facilmente se destranca. Franqueada a entrada, sem réstia de culpa, admiramos então a singela cascata. Pouco exuberante mas de rara beleza deixa escorrer a água por múltiplos requebros e ressaltos salpicados de verdura. Enchem-se os olhos e a alma e esquecemos o inesperado obstáculo. 
Abandonamos a cascata da Azulada seguindo pela estreita senda que nos leva a um velho moinho que ali jaz abandonado. Seguimos. Pouco mais de uma centena de metros e eis-nos num dos mais belos recantos deste trilho. A ribeira socalca sobre e por entre rochas; a água corre límpida passeando-se devagar ou asinha nos mais largos ou mais estreitos leitos; o musgo pinta as pedras de verde forte; os salgueiros debruçam os ramos sobre a ribeira e as pontes artesanais convidam à aventura de as atravessar. Não nos fazemos rogados. Passamos para lá por uma e por outra para cá. Bebemos toda esta beleza com sofreguidão mas o objetivo a que nos propusemos obriga a que partamos. Seguindo os meandros da ribeira, ouvindo o cantar da água e a melodia dos pássaros e saboreando mil odores e luminosos cambiantes, calcorreamos este carreiro que entra agora num desfiladeiro cársico. Uma pontezita, feita com troncos e tábuas velhas, leva-nos no contorno das rochas sobre a ribeira.
Vamos apontando a câmara do telemóvel ora à água mansa que se espraia sobre limos e musgos ora aos ressaltos e requebros da ribeira que espumam brancura sobre as pedras. 
Atravessamos o asfalto passando sobre a ponte da estrada de Assentiz a Fungalvaz e voltamos à ribeira. Uma arruinada represa, que há muito não represa a água que dava a força necessária para girar a mó de um moinho, de que não restam vestígios, não põe obstáculo à corrente da ribeira. Seguimos entre o cantar da água e o dos pardais que pululam num campo de cultivo à espera de arado. À frente passamos juntinho a um pequeno bosque de sobreiros, pinheiros e carvalhos. Um trilho lamacento obriga-nos a cirandar para colocar as botas e não as sujar em demasia. E agora?... temos que passar para a outra margem!... olhamos as pedras do leito da ribeira avaliando as hipóteses de não nos esbardalharmos se, equilibrando-nos sobre elas, tentarmos atravessar. Com mil cuidados passamos de pedra em pedra sem molhar as botas.
O vale aqui alarga mas nós seguimos junto à vertente cársica apreciando as formas talhadas na escarpa. O carreiro vermelho é agora ladeado de murta, aroeira, cistos e uma infinidade de outras plantas que vão colorindo e odorando o caminho. O sol a pino aquece e as abelhas zumbem na eterna faina recolectora do pólen. 
Uma pequena lapa à beira do carreiro abre-nos o apetite para o que vamos ver a seguir. Uma dissimulada abertura no mato mostra um carreiro em declive acentuado. 
- Vamos, é por aqui.
- Por aí?!!!
Tem que ser. O que nos espera compensa receios de possíveis escorregadelas. Agarrados à generosidade dos zambujeiros e carrascos que nos oferecem os ramos para nos apoiarmos, vamos subindo a arriba escarpada. E cá estamos. Uma lapa em forma de túnel mostra as variantes de amarelo terroso que a luz, que entra por ambos os extremos, aviva e torna a imagem numa experiência fantástica. Chamam-lhe “Fórnea". O nome vem de antigamente, provavelmente de quando uma das extremidades ainda seria fechada. Apreciamos os pormenores e as vistas que, de um e outro lado, se nos apresenta da outra encosta do desfiladeiro. 
Agora descer por onde subimos é nova e mais difícil aventura. 
Estamos cá em baixo sem registo de ocorrência desagradável.
Continuamos junto à ribeira mas deixámos de escutar o cantar da água. Espreitamos. E cá está, o leito da ribeira é agora enxuto de água mas abundante de musgo que cobre as pedras. Decerto que o leito é aqui subterrâneo, já que a nascente ainda fica longe. Passamos a seco para a outra margem.
O carreiro segue agora sob um delícia em forma de galeria ripícola ensombreando o sol forte e ofertando vislumbres de magia. Recomeçamos a ouvir a água na ribeira. 
Uma recém-construída e inacabada ponte em madeira permite que mudemos mais uma vez de margem.
Um pouquinho andado e o leito do rio de novo seco. Compensa a beleza que mostram as pedras musgadas.
Uma placa amarela, presa nos arbustos, diz que caminhamos num trilho que alguém batizou de “Superfresco". Parece que não é marca de refrigerante mas de uma equipa de trail daqui desta zona. Se foi este “team" que abriu e mantém o trilho limpo, bem haja.
Por um estradão empossado de água barrenta, chegamos à EN349. Atravessamos e um pouco mais adiante somos confrontados com a necessidade de atravessar de novo a ribeira. A água é baixa e limpa. Umas pedritas espalhadas no leito abriram a esperança de não ter que descalçar as botas. Com o jeitinho deste jeitoso lá se foram ajeitando as pedras à medida que íamos atravessando. E pronto, botas enxutas e lá vamos por estradões até aos moinhos da Pena.
Diz-se que este é o terceiro maior conjunto de moinhos de vento em Portugal. São 12. Sete na freguesia de Chancelaria e 5 na de Assentiz. Dominam a paisagem mas são mortos vivos. Morreram no meio da década de 60 quando o último moleiro fechou tristemente a porta, deixando para trás o que tinha sido o seu ganha-pão de décadas e era agora substituído por uns pacotinhos de papel, com uma farinha tão branca que nem farinha parecia, à venda nas mercearias por um preço que nem o trabalho dele pagaria. 25 anos depois, à custa de fundos comunitários, ressuscitavam-se os velhos moinhos mas… para fins turísticos. Dois seriam recuperados para serem moinhos e os restantes para alojamento. Hoje, apenas um mostra o mastro e as vergas em bom estado mas nus. Por dentro não sei, está fechado. Como se gasta o dinheiro para objetivos fúteis. Quem se lembra que o passado é que fundamenta o presente?... não somos apenas o produto de guerras que plejámos, terras que descobrimos ou povos que conquistámos. Somos descentes também daqueles que labutaram a terra agarrados à rabeta do arado ou ao cabo da enxada; construíram moinhos movidos a vento ou água; percorreram montes e vales, pisando carreiros, tocando o burro carregado de talegas de farinha, de milho feijão ou grão… somos tudo isso e isso espelha-se nas estruturas que conservámos e são museus vivos da cultura que nos corre nas veias…
Esquecido de mim fui percorrendo o caminho que une onze moinhos, o último está do lado de lá da estrada alcatroada. A paisagem que deste outeiro se avista é muito bonita mas hoje nem a apreciei devidamente. 
Descemos uma pequena encosta e atravessamos  a estrada. 
Vamos estradão fora em busca de outros carreiros. Ao lado um senhor já de avançada idade encosta a escada de alumínio à oliveira que precisa de poda, ainda que tardia. Antigamente a escada seria de pau e feita pelo podador. 
- Então, podando as oliveiras?...
- Deram pouco o ano passado, estou a limpá-las a ver se dão alguma coisita este ano.
- Cuidado, não caia.
- Não sou eu que subo, é o rapaz. Eu já tou velho pra isso.
- Fique com Deus.
- Bem haja e boa viagem.
E aqui vamos viajando por estas charnecas fora.
Deixámos o estradão e entramos num carreiro maravilhoso ladeado de torga branca exalando perfume. Ouve-se o zumbido da azáfama das abelhas. 
É uma hora. Escolhemos um canto soalheiro, sentamo-nos e almoçamos o farnel que nos tem vindo a pesar nas mochilas.
Cá vamos de novo. Um trilho por alguém designado “Trilho do Lacrau", com vegetação abundante dos lados e por cima, é agora o nosso caminho. O desconhecimento da causa leva-nos a conjeturas pouco prováveis para justificar o nome dado ao trilho. Pouco importa, a beleza que nos rodeia some o pensamento e traz o desfrute.
Entramos noutro trilho batizado. A este chamaram “Trilho das Mós Rolantes”. Se rolassem por esta encosta decerto que não seguiriam este lindo e sinuoso trilho. Passamos por uma mó partida. Terá rolado?... não me parece mas também não vejo razão para aqui estar. Provavelmente uma falha na construção levou a que se partisse e a ser abandonada onde estava a ser construída.
Um estradão trouxe-nos de novo à Beselga de Cima. Passamos em frente da vetusta capela e uma questão se nos coloca: que sentido etimológico terá este topónimo, Beselga?... A consulta rápida à Diciopédia pelo telemóvel diz que o nome deriva do latim “basilica", tratando-se de uma igreja ou capela.
Não satisfeito irei em casa pesquisar outras fontes. Por agora, e chegados que somos, fecho o percurso. Editarei o texto se a pesquisa acrescentar algo interessante. Por aqui me fico, com gratidão na alma e um belíssimo percurso na lembrança.
Foto

Um hino de cor saudando a primavera

Albero

Oliveira centenária

Ponte

As asas de avião que me intrigam servindo de ponte

Foto

A suave beleza da Cascata da Azulada

Rovine

Um moinho jazendo entre a vegetação

Foto

Um Recanto de excecional beleza

Ponte

A água, o musgo nas pedras e uma ponte que dá azo ao sonho

Albero

Passando por outra oliveira que já viu passar mais que cem primaveras

Ponte

Na ponte que contorna a escarpa

Foto

Ora agitada ora calma vai a água passando

Foto

Muito belo este carreiro

Ponte

A ponte

Rovine

As ruínas de uma represa que deixou de represar

Waypoint

Com muito cuidado passamos de pedra em pedra

Valico

Um carreiro vermelho acompanhando a escarpa

Valico

Uma pequena lapa

Valico

Na fórnea

Waypoint

A Ribeira seca permite a passagem sem molhar os pés

Valico

O carreiro com uma galeria de vegetação

Ponte

Praticamente concluída. Já se passa

Foto

Nesta parte da ribeira resta a beleza do musgo

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No trilho do Superfresco

Foto

Um caminho empoçado e enlameado

Waypoint

Ajeitando as pedras conseguimos mais uma vez passar a seco

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Moinhos que já o foram. Agora alugam-se a turistas

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Este mantém o mastro e as varas. E por dentro, como estará?

Foto

Alecrinando carreiro fora

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As torgas perfumado o caminho

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No trilho do Lacrau

Waypoint

Carqueja, zambujeiros e mós que já rolaram

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O tojo amarelando

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Rolou... Rolou até partir

Sito religioso

A igreja da Beselga

Foto

As maias de amarelo enfeitadas

Commenti

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